A COP30 (30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas), que será realizada em 2025 na cidade de Belém (PA), promete ser um marco histórico para o Brasil e para o debate global sobre o clima. Mas para compreender sua importância, é essencial revisitar a trajetória das COPs anteriores, que desde 1995 reúnem líderes mundiais para negociar soluções contra o aquecimento global e estabelecer metas de redução de gases de efeito estufa.
Ao longo de quase três décadas, essas conferências resultaram em acordos emblemáticos, como o Protocolo de Quioto e o Acordo de Paris, e moldaram políticas climáticas internacionais. Nesta linha do tempo preparada pela Sonora Engenharia, reunimos os principais marcos das Conferências do Clima até 2024.
1995 – COP1, Berlim, Alemanha
Primeira reunião oficial após a criação da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). Estabeleceu a “Agenda de Berlim” e reconheceu a necessidade de compromissos mais ambiciosos para reduzir emissões.
1997 – COP3, Quioto, Japão
Aprovado o Protocolo de Quioto, primeiro tratado internacional juridicamente vinculante com metas obrigatórias de redução de gases de efeito estufa para países desenvolvidos.
2001 – COP7, Marrakesh, Marrocos
Definidos os Acordos de Marrakesh, que detalharam regras para implementar o Protocolo de Quioto e mecanismos de mercado como o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL).
2009 – COP15, Copenhague, Dinamarca
Alta expectativa global. Surgiu o Acordo de Copenhague, que, mesmo sem força vinculante, introduziu a meta de limitar o aquecimento global a 2°C.
2011 – COP17, Durban, África do Sul
Lançada a Plataforma de Durban, que abriu caminho para um novo acordo aplicável a todos os países, culminando no Acordo de Paris.
2015 – COP21, Paris, França
Histórico Acordo de Paris: 195 países se comprometeram a manter o aquecimento “bem abaixo” de 2°C e buscar esforços para limitá-lo a 1,5°C. Criado o sistema de Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs).
2018 – COP24, Katowice, Polônia
Aprovado o Livro de Regras de Katowice, com diretrizes para implementar e monitorar o Acordo de Paris.
2021 – COP26, Glasgow, Reino Unido
Reforçou a meta de 1,5°C, revisou compromissos sobre o uso de carvão e aumentou pressões por financiamento climático.
2022 – COP27, Sharm el-Sheikh, Egito
Criação do Fundo para Perdas e Danos, para apoiar financeiramente países vulneráveis já afetados pelos impactos climáticos.
2023 – COP28, Dubai, Emirados Árabes Unidos
Primeira avaliação global do Acordo de Paris (Global Stocktake), apontando que o mundo ainda está fora da rota para 1,5°C. Avanços em energias renováveis, mas persistem divergências sobre combustíveis fósseis.
2024 – COP29, Baku, Azerbaijão (prevista)
Foco nas metas de financiamento climático pós-2025 e na revisão das NDCs para 2035.
COP30: o que esperar
Com o Brasil como anfitrião, a COP30 tem potencial para fortalecer o protagonismo do país nas negociações climáticas, impulsionar investimentos em energias renováveis, bioeconomia e soluções baseadas na natureza, além de dar visibilidade à Amazônia como centro estratégico na luta contra as mudanças climáticas.
Para empresas e governos, o encontro será uma oportunidade de alinhar compromissos e apresentar resultados concretos. Para a sociedade, será um momento de pressão e expectativa por medidas mais ambiciosas para limitar o aquecimento global.
